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Governo revisa metodologia da balança comercial e série histórica é alterada

O Ministério da Economia revisou a metodologia da balança comercial desde o início da série histórica, iniciada em 1997. A pasta afirma que o objetivo é aprimorar a qualidade dos dados. Entre as alterações metodológicas estão exclusões e inclusões de operações de exportação e importação ao amparo de regimes aduaneiros especiais; contabilização da energia elétrica gerada por Itaipu nas importações e divulgação de informações inéditas de frete e seguro nas importações.



Ainda segundo o governo, também houve tratamento de registros com erro de digitação por parte dos declarantes nas importações; melhorias de precisão dos dados com obtenção de retificações em registros históricos de importação; e aumento na precisão das informações relativas ao modal de transporte e unidade da Federação.

Com essas alterações, não haverá uma quebra da série histórica. Os novos dados da balança comercial poderão ser comparados com os números dos anos anteriores, pois houve atualização.


DADOS ATUALIZADOS

Todos os números, desde 1997, foram reajustados. Eis os destaques:

exportações – o valor exportado acumulado de toda a série histórica, de 1997 a 2020, apresentou queda de 1,4%. A maior alteração foi em 2013, com diminuição de US$ 7,6 bilhões;

importações – o valor importado acumulado de toda a série histórica apresentou aumento de 1,6%. O maior aumento absoluto ocorreu em 2019, no valor de US$ 8,6 bilhões;

saldo comercial – o acumulado de 1997 a 2020 apresentou redução de 16,5%. A maior alteração absoluta foi em 2019, com diminuição de US$ 12,8 bilhões. O ano de 2013 sofreu o maior impacto relativo ao apresentar mudança de um superávit de US$ 2,3 bilhões para um déficit de US$ 9 bilhões;

corrente de comércio – por ser a soma dos fluxos de exportação e importação, portanto de maior monta, pouco se alterou relativamente. O valor acumulado da corrente de comércio em toda a série histórica, entre 1997 e 2020, apresentou queda de 0,02%;

fluxos comerciais – as trajetórias dos não se alteraram, com ajustes marginais e concentrados em setores específicos. Com isso, as tendências de queda ou crescimento se mantiveram, pouco impactando em análises da dinâmica das exportações e importações.


IMPACTO NOS DADOS ECONÔMICOS

Segundo o ministério, a revisão foi amplamente discutida com Banco Central e IBGE. Diversas reuniões foram feitas para apresentar as alterações pretendidas e os resultados alcançados. Os dados de exportação e importação de bens compõem o Balanço de Pagamentos, o cálculo do PIB e das Contas Nacionais.


Tanto o Banco Central quanto o IBGE modificam e estimam valores além dos dados divulgados pela Secex, seguindo as recomendações para suas compilações, o Balance of Payments and International Investment Position Manual (BPM6) e o System of National Accounts, 2008 (SNC). Essas instituições deverão realizar ajustes em suas estatísticas de acordo com calendários de revisão próprios.


“É importante destacar que as modificações decorrentes da revisão metodológica dos dados de comércio exterior não influenciam o mercado de câmbio. Dados de movimento cambial não decorrem dos fluxos comerciais, que medem a entrada e saída física de bens do território nacional”, afirma a nota.


A fonte de dados relativos ao câmbio usada pelo mercado financeiro é o movimento de câmbio contratado, cujas informações são compiladas pelo Banco Central. São dados diários, mas divulgados semanalmente pela instituição.


Em relação às Contas Nacionais, as alterações deverão ser marginais. O comércio exterior de bens representa uma pequena parte do Sistema de Contas Nacionais e, como mencionado, o IBGE realiza estimativas e imputações de dados e divulga informações agregadas.


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